Ventos do tempo

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Depois da morte de Kazuo Ohno, seu filho Yoshito Ohno segue seu legado, ampliando-o e trazendo novas formas e possibilidades, outros ventos de tempos para o butô contemporâneo. Desde sua apresentação no Japão em 2010 e em Londres em 2011 com o cantor de música pop Antony and Johnson, Yoshito Ohno tem como proposta continuar seu trabalho estabelecendo diálogos com o butô contemporâneo, do qual ele é um dos principais representantes vivos desta linha com artistas jovens que se dedicam a uma pesquisa diferenciada e aprofundada sobre o corpo, suas sombras, seu dentro e movimentos.

WIND OF TIME tem como principal objetivo refletir sobre a atualidade das muitas questões que envolvem a idéia de corpo e da arte desenvolvidas e vividas pelo butô desde sua criação na década de 60 e sua reinvenção continuada até os dias de hoje. Mais do que um estilo de dança o butô surge como uma interpretação do mundo, sempre em diálogo com o tempo presente e vivido. E é neste sentido que Yoshito Ohno desenvolverá este projeto Ventos do Tempo no Brasil

O circuito das cidades históricas, Ouro Preto e Tiradentes, conta com o apoio da Universidade Federal de Ouro Preto e das Prefeituras de Ouro Preto e Tiradentes, além de colaboração das pousadas e restaurantes que colaboraram nesta iniciativa.

Um corpo testemunha

O papel de Yoshito Ohno na história do butô sempre pareceu diferenciado. Ele foi um dos únicos artistas que teve a oportunidade de trabalhar com os pioneiros Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno (seu pai). Yoshito nasceu em Tóquio em 1938.  Em 1959, com apenas 21 anos, participou  da obra Kinjiki (Cores Proibidas), sob a direção de Hijikata. Esta foi, historicamente, considerada a primeira performance de butô, inspirada pela obra homônima de Yukio Mishima e pelos escritos de Jean Genet, por quem Hijikata nutria grande admiração.

Em 2008, durante uma conversa em São Paulo (como parte da programação da exposição Tokyogaqui), Yoshito confessou, de forma bem humorada, que não havia entendido quase nada do que se passara naquela ocasião. Hijikata não era um homem de muitas explicações e talvez, naquele momento, nem ele mesmo tivesse
consciência da radicalidade do movimento que estava começando.

Nos anos que se seguiram, Yoshito continuou trabalhando sob a direção de Hijikata em outras obras, como A Casa de Artaud, integrando o grupo ankoku butô ha.  No entanto, ficou mais conhecido para o público internacional, a partir da parceria com seu pai, que começa  em 1985 com The Dead Sea (O Mar Morto) e segue até a morte de Kazuo em 2010. Juntos, eles se apresentaram pelo mundo e transformaram de maneira radical, a vida de muitos artistas (dançarinos, atores, fotógrafos, cineastas, escritores e pintores), sobretudo nos países ocidentais.

Hoje, Yoshito pode ser considerado uma espécie de testemunha essencial. Não apenas por tudo que conhece (e viveu) da história do butô, mas porque representa algo que está em vias de extinção em toda parte, inclusive no Japão. É difícil dizer do que se trata. Talvez seja um certo modo sutil e cruel de compreender a arte, o corpo e os limiares entre a vida e a morte.

Christine Greiner